De 'casal de anões' a 'mudinho': como autoridades contestaram suposta aparição de ET em Varginha em 1996
Do ‘mudinho’ a casal de anões: como autoridades contestaram suposta aparição de ET em Varginha em 1996 Reprodução TV Globo Quando os relatos sobre o ap...
Do ‘mudinho’ a casal de anões: como autoridades contestaram suposta aparição de ET em Varginha em 1996 Reprodução TV Globo Quando os relatos sobre o aparecimento de extraterrestres em Varginha, no Sul de Minas, ganharam repercussão, nos anos 1990, diferentes versões foram apresentadas pelas autoridades e forças de segurança para tentar explicar o caso. Entre elas, estão as hipóteses de que as testemunhas teriam visto um morador da cidade com deficiência intelectual ou um casal de pessoas com nanismo e os confundiram com ETs. Essas versões foram abordadas no segundo episódio da série documental "O Mistério de Varginha", que foi exibido nesta quarta-feira (7), na TV Globo. 📺 Uma co-produção entre Estúdios Globo e EPTV, o especial é composto por três episódios exibidos nos dias 6, 7 e 8 de janeiro em todo o Brasil, logo após "O Auto da Compadecida 2". Eles revisitam um dos casos ufológicos mais conhecidos do mundo, que projetou a cidade mineira internacionalmente após relatos de encontros de moradores da cidade com criaturas extraterrestres. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Segundo o jornalista e ex-editor do Fantástico Luiz Petry, a repercussão do caso levou à abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) no Exército. A apuração começou depois que reportagens passaram a citar nomes de oficiais das Forças Armadas. "Esse assunto acabou virando o IPM, o Inquérito Policial Militar no Exército, porque a partir do momento que uma emissora de TV cita o nome de oficiais do Exército brasileiro, eles têm a obrigação de investigar. Então eles ouviram os ufólogos, tomaram o depoimento dos militares citados", disse o jornalista. Leia também: Ufólogo que ajudou a projetar caso diz que história não existiu: 'Não acredito em mais nada' Entre relatos minuciosos e denúncias de invenção, saiba o que dizem envolvidos Testemunhas relatam bullying e depressão após caso: 'Falaram que poderia estar grávida do ET' ET de Varginha na Unicamp? Perito relembra ligação misteriosa, mas afirma: 'Não chegou até hoje' Inquérito do Exército investigou suposta aparição de ET em Varginha Reprodução TV Globo Na época, o comando da Escola de Sargentos das Armas (EsSA), em Três Corações (MG), divulgou uma nota oficial negando qualquer envolvimento com a captura de um extraterrestre. A declaração dizia que “nada havia a esconder”, mas os representantes evitaram responder às perguntas dos repórteres. Trinta anos depois do início do caso, o então comandante da EsSA, general da reserva Sérgio Pedro Coelho Lima, decidiu se manifestar publicamente para a equipe de produção do documentário. “Meu nome apareceu em livros, na televisão, com fotografia minha, mas nunca me procuraram para eu expor a minha versão dos fatos”, disse. Veja os bastidores da série documental "O Mistério de Varginha" ‘Seria impossível esconder um extraterrestre’ O general afirmou que não haveria como ocultar a captura de um ser extraterrestre dentro de uma estrutura militar. "Como que nós poderíamos esconder um extraterrestre, um alienígena, sem o conhecimento de todos? Não tem como, é praticamente impraticável, impossível. Então isso não existiu, é uma coisa que foi criada. Por que nós iríamos esconder isso? A troco de quê?", disse o ex-comandante da unidade. Segundo ele, uma sindicância foi aberta e todos os militares citados foram ouvidos. "Fizemos uma sindicância, ouvimos todos aqueles que poderiam estar implicados e chegamos à conclusão, tranquilamente, que não houve nenhuma participação de militares da EsSA nesse episódio", disse o ex-comandante. Ex-comandante da Escola de Sargento das Armas nega captura de extraterrestre em 1996 Reprodução TV Globo Para o ufólogo Vitório Pacaccini, no entanto, a apuração teve como objetivo ocultar informações. "Claro que o general Lima tinha ciência de tudo, ele fez o que pôde para ocultar. 'Nunca estivemos lá, nem no local, nem no outro, nem no outro. Eu não tenho nada a declarar'. Lamento muito, não funcionou. A ufologia brasileira não se intimidou", disse o ufólogo. O ex-general rebateu e classificou o caso como invenção. “Não quero acusar ou criar qualquer ofensa, mas são histórias criadas pelos ufólogos. Eles vivem disso”, disse. A versão do ‘mudinho’ Os dois volumes do processo de investigação do Exército concluíram que as meninas teriam visto um morador da cidade com deficiência intelectual, conhecido como “Mudinho”, que costuma andar agachado pelas ruas. Segundo Pacaccini, a investigação chegou a manipular imagens para sustentar essa versão. “Eles fotografaram o Mudinho sem autorização e mexeram na imagem, escurecendo o contraste, para induzir as pessoas a entenderem que era ele”, afirmou. Inquérito do Exército concluiu que morador seria o suposto ET de Varginha Reprodução TV Globo Uma das testemunhas que afirmam ter visto o ET, Liliane de Fátima Silva disse que conhecia o morador desde a infância. "Conheço o Mudinho desde criança, meu pai tinha bar, o Mudinho frequentava, frequenta a cidade inteira até hoje, hoje menos, mas assim, frequenta a cidade inteirinha. Qualquer lugar que você andar ali no bairro Jardim Andere, você vai ver ele agachadinho, do mesmo jeitinho. A gente conhecia, não era o Mudinho", disse Liliane. Outra testemunha, Valquíria Silva reforçou. "Nunca que é o Mudinho. A gente conhecia ele desde pequena, sem sombra de dúvidas. Eu achei, falei, coitadinho dele, ele não faz mal para ninguém, quietinho, porque que falaram que era ele? Ele é uma pessoa normal, aparência normal, só que ele fica agachadinho. E, coincidência, na mesma posição", disse Valquíria. 'Casal de anões' Outra explicação apresentada na época foi a de que um casal de pessoas com nanismo teria sido confundido com o suposto extraterrestre. Um militar afirmou que havia no hospital de Varginha um casal de anões, sendo que a mulher estava grávida. "Houve uma série de coincidências de fato. Havia no Hospital de Varginha um casal de anões onde a senhora estava grávida para ganhar um neném. Isso coincide com o fato da EsSA ter pegado essa criatura, ter colocado no caminhão e levado para Hospital de Varginha", disse Eduardo Calza, Militar da Reserva, para meios de comunicação na época, em entrevista reproduzida no documentário. Exército chegou a divulgar versão de que casal de anões teria sido levado para hospital e confundido com ET Acervo EPTV/TV Globo Para o ufólogo Vitório Pacaccini, as explicações apresentadas fazem parte de uma estratégia militar. "O que aconteceu mesmo (segundo o militar) é que um casal de anões muito feios e deformados, onde a mulher estava grávida, precisou de atendimento, de algum apoio. As pessoas os avistaram e confundiram com essa criatura. As forças militares criam contra-informação. Quando você cria o ridículo, destrói a informação principal e transforma tudo numa piada. Foi uma tentativa, até certo ponto, esdrúxula”, afirmou. O ufólogo Ubirajara Rodrigues, que mais tarde passou a negar a existência do ET de Varginha, classificou a versão do casal de pessoas com nanismo como mal conduzida. “Foi feito de uma forma absolutamente desastrada. Pegou muito mal”, completou. O Mistério de Varginha Ao longo de três episódios, a série documental “O Mistério de Varginha” revisita o caso que ganhou repercussão internacional há 30 anos no Sul de Minas, reunindo depoimentos inéditos, além de documentos, áudios, arquivos históricos e registros oficiais nunca exibidos. A investigação apresenta diferentes versões sobre o que teria acontecido na cidade e confronta relatos que marcaram o episódio. TV Globo exibe série documental ‘O Mistério de Varginha’ Jackson Amorim/EPTV Entre os entrevistados estão personagens centrais da história, como o ufólogo Ubirajara Rodrigues, o primeiro a investigar o caso. A série aborda a mudança de posição dele ao longo dos anos, já que, depois de defender a existência da suposta criatura, passou a afirmar que ela nunca existiu. O documentário também traz depoimentos de militares, relatos de moradores e a recuperação de materiais jornalísticos da época. A produção acompanha ainda Kátia, Liliane e Valquíria, conhecidas como as “três meninas do ET”, que relembram o episódio e mostram como estão atualmente. Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, a série vai ao ar após O Auto da Compadecida 2 e também ficará disponível no Globoplay, com produção executiva de Fernanda Neves e direção artística de Monica Almeida. Serviço: O que: O Mistério de Varginha Onde assistir: 6, 7 e 8 na TV Globo após "O Auto da Compadecida 2" ou no Globoplay Veja FOTOS dos bastidores: 'O Mistério de Varginha' Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas